A possível volta do QQ ao Brasil passa por uma decisão industrial. A Chery estuda uma solução de fabricação local para tornar o novo QQ3 competitivo, mas a chegada do hatch elétrico ainda não está confirmada. Também seguem sem definição a fábrica, o investimento e a configuração que poderia ser vendida no país.
O nome conhecido pelos brasileiros agora identifica um carro de proposta diferente. Em vez do pequeno modelo a combustão que marcou a estreia da marca por aqui, o QQ3 utiliza uma arquitetura própria para veículos elétricos e tem dimensões maiores.
Um QQ distante da receita original

O novo hatch mede 4,20 metros de comprimento e 2,70 metros de entre-eixos. A cabine acompanha essa transformação, com grandes telas e poucos comandos físicos. Na China, o modelo oferece diferentes capacidades de bateria e autonomias, mas nenhuma delas foi definida para o mercado brasileiro.
Uma eventual estreia colocaria o QQ3 em uma faixa disputada por modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e GWM Ora 03. Nesse cenário, a estratégia de produção ganha importância para a competitividade do carro.
Importação não é o caminho preferido
Guibing Zhang, vice-presidente executivo da Chery Auto e presidente da Chery International, abordou o projeto durante uma conversa com jornalistas brasileiros no International User Summit, em Wuhu, na China.
Segundo o executivo, há potencial de volume nesse segmento, mas a concorrência é intensa. Importar o QQ3 totalmente pronto da China, operação conhecida pela sigla CBU, dificultaria a disputa. Por isso, a empresa procura uma alternativa que envolva fabricação no Brasil.
O modelo já foi visto camuflado em testes no país, e havia expectativa de lançamento no início de 2027. Essa previsão, porém, não representa uma data confirmada pela fabricante, que ainda precisa definir sua estratégia industrial.
Entre as possibilidades levantadas está o uso da fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro. Não há, contudo, acordo confirmado para essa operação.
Nome já teve produção nacional
Se o projeto avançar, será mais um capítulo brasileiro do QQ. O primeiro chegou em 2011, importado da China, com motor 1.1 a gasolina e preço inferior a R$ 23 mil. A proposta era figurar entre os automóveis novos mais baratos do país.
Em 2015, surgiu o New QQ, inicialmente importado e equipado com motor 1.0 de três cilindros. A fabricação em Jacareí, no interior de São Paulo, começou em 2016. Mais tarde, o motor recebeu tecnologia flex.
A produção terminou em 2019, já sob a CAOA Chery, durante uma mudança de estratégia voltada a SUVs e veículos de maior valor. Ao longo de oito anos, cerca de 33 mil unidades do compacto foram vendidas no Brasil. Agora, o retorno do nome permanece em avaliação, com a competitividade como ponto central.
Fonte: AUTOO