O Fiat 500e deverá trocar a química das baterias a partir de 2027 para enfrentar um de seus principais obstáculos comerciais: o preço. Segundo informações da imprensa italiana, o compacto elétrico passará dos atuais conjuntos de níquel, manganês e cobalto (NMC) para células de fosfato de ferro-lítio (LFP), mais baratas.

A intenção é permitir que o modelo seja vendido por menos que os atuais 23.900 euros cobrados na Itália. O novo valor, porém, ainda não foi divulgado. Também não há informações sobre eventuais efeitos da mudança para o mercado brasileiro.

Lançada em 2020 como um projeto exclusivamente elétrico, a atual geração do pequeno Fiat demorou a ganhar ritmo nas vendas. A redução de custos busca melhorar sua posição diante da concorrência, especialmente das fabricantes chinesas.

Menor custo não define a autonomia

A principal vantagem econômica das baterias LFP está na composição, que dispensa níquel e cobalto. Esses materiais contribuem para encarecer os conjuntos NMC. A química prevista para o 500e também costuma oferecer maior vida útil.

Há, no entanto, uma contrapartida técnica: as células LFP armazenam menos energia para o mesmo peso ou volume. Para manter o alcance, a fabricante pode precisar ampliar a bateria, melhorar sua integração ao veículo ou aumentar a eficiência dos sistemas.

Por isso, a mudança não permite concluir se o 500e terá mais ou menos autonomia. A Fiat ainda não apresentou capacidade, potência de recarga nem data exata de lançamento da atualização. Emanuele Cappellano, responsável pelas operações europeias da Stellantis, indicou que o objetivo é tornar o carro mais competitivo e atraente.

Fiat 500e deve adotar bateria LFP para custar menos em 2027 / Créditos: Divulgação Fiat
Fiat 500e deve adotar bateria LFP para custar menos em 2027 / Créditos: Divulgação Fiat

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Stellantis quer ampliar adoção das células LFP

A estratégia não ficará restrita ao compacto da Fiat. Antonio Filosa, CEO da Stellantis, afirmou durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, em 28 de outubro, que o grupo pretende substituir a química NMC por LFP em diversos modelos.

Grande Panda, Citroën ë-C3 e ë-C3 Aircross e Opel Frontera já utilizam essa tecnologia. O plano é estender sua aplicação a outros produtos, incluindo veículos de posicionamento mais caro, como o próprio 500e.

Outra frente de redução de custos é a plataforma STLA One, com estreia prevista para 2027. A arquitetura terá suporte a sistemas elétricos de 800 volts e integração da bateria à estrutura do veículo. A fonte não confirma, porém, sua aplicação no pequeno Fiat.

Para ampliar o fornecimento local de células LFP, a Stellantis também constrói uma fábrica em Zaragoza, na Espanha, em parceria com a chinesa CATL. A economia na produção faz parte da estratégia do grupo, mas seu repasse aos compradores dependerá do posicionamento comercial de cada modelo.

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Fonte: InsideEVs Brasil