Os veículos eletrificados alcançaram novo recorde de participação no mercado brasileiro. Na primeira quinzena de julho, carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in responderam por 23,6% das vendas de veículos leves no país, segundo levantamento da Bright Consulting.

Carros elétricos já representam 25% do mercado nacional / Créditos: Divulgação BYD
Carros elétricos já representam 25% do mercado nacional / Créditos: Divulgação BYD

Embora o título fale em carros elétricos, o dado considera o conjunto dos eletrificados, incluindo híbridos convencionais, híbridos plug-in e modelos 100% elétricos. Ainda assim, o número mostra uma mudança relevante no mercado nacional, já que quase um em cada quatro veículos leves vendidos no período tinha algum tipo de eletrificação.

Ao todo, foram 25.052 veículos eletrificados licenciados na primeira metade de julho. O volume é mais que o dobro das 9.786 unidades registradas no mesmo intervalo de 2025. Em um ano, portanto, o segmento deixou de ser nicho e passou a ocupar uma fatia expressiva do mercado.

No mesmo período, o mercado brasileiro de veículos leves somou 106.158 emplacamentos. O resultado representa alta de 13% sobre a primeira quinzena de julho de 2025, mas queda de 1,6% em relação à primeira metade de junho. Mesmo com essa acomodação mensal, os eletrificados continuaram crescendo em ritmo superior ao mercado geral.

A Bright Consulting associa a retração mensal ao fim do ciclo de antecipação de compras por locadoras, frotistas e órgãos públicos observado durante o segundo trimestre. Com isso, a média diária de licenciamentos caiu de 10.790 para 9.651 unidades, mesmo com um dia útil a mais na comparação com a quinzena anterior.

No acumulado de 2026, os eletrificados já somam 267.102 emplacamentos. O número representa crescimento de aproximadamente 120% sobre as 121.181 unidades registradas no mesmo período de 2025. A expansão confirma que a eletrificação passou a ter peso estrutural nas vendas brasileiras, não apenas impacto pontual de lançamentos.

As marcas chinesas são um dos motores desse avanço. Na primeira quinzena de julho, fabricantes da China responderam por 23,2% das vendas totais de veículos leves no Brasil, também um recorde. O crescimento foi puxado por empresas como BYD, GWM, Geely, Omoda & Jaecoo, Leapmotor e GAC.

A BYD teve um dos desempenhos mais simbólicos. A marca alcançou a terceira posição no ranking geral de emplacamentos da primeira quinzena de julho, ficando atrás apenas de Fiat e Volkswagen. O resultado reforça como a fabricante chinesa deixou de disputar apenas o mercado de elétricos para competir diretamente com marcas tradicionais.

Carros elétricos já representam 25% do mercado nacional / Créditos: Divulgação BYD
Carros elétricos já representam 25% do mercado nacional / Créditos: Divulgação BYD

Entre os modelos, o Geely EX2 apareceu pela primeira vez no top 10 geral, já na oitava posição. O desempenho do hatch elétrico mostra que os modelos de entrada e intermediários eletrificados começam a atingir volumes antes restritos a compactos flex e SUVs convencionais.

Outro ponto importante é a mudança no perfil de compra. Segundo a análise, o canal de varejo manteve trajetória de crescimento, enquanto a venda direta perdeu participação em relação aos meses anteriores. Isso indica que a procura por eletrificados começa a se espalhar entre consumidores particulares, e não apenas entre grandes compradores.

O avanço também ocorre em um momento de mudança regulatória. Com a retomada gradual do imposto de importação sobre veículos eletrificados, as fabricantes aceleram planos de produção local. BYD e GWM já iniciaram operações industriais no Brasil, enquanto a Geely pretende começar a fabricar seus primeiros modelos nacionais em setembro.

Na prática, o recorde da primeira quinzena de julho mostra que a eletrificação deixou de ser apenas uma tendência futura. Ela já influencia rankings de marcas, escolhas de consumidores, estratégias de preço e decisões industriais no Brasil.

O desafio agora será sustentar esse crescimento com rede de recarga, assistência técnica, nacionalização de componentes e oferta de modelos em faixas mais acessíveis. Se esses pontos avançarem, a participação dos eletrificados tende a continuar pressionando o mercado de veículos exclusivamente a combustão.