O Sandero terá uma versão 100% elétrica em sua próxima geração. A informação já havia sido antecipada pela Dacia e foi novamente confirmada por Lina Ribeiro, diretora-geral da marca no Reino Unido, indicando que o projeto segue dentro do cronograma previsto.

A estreia deve ocorrer em 2028, dentro de uma nova família de compactos da Dacia. O objetivo não será transformar o Sandero em um elétrico caro, sofisticado ou de alto desempenho. Pelo contrário: a marca pretende manter a lógica que tornou o hatch conhecido na Europa e no Brasil, com construção simples, preço competitivo e foco em custo-benefício.
Essa decisão é estratégica. Enquanto marcas chinesas avançam com modelos elétricos baratos, fabricantes tradicionais precisam encontrar uma forma de competir sem elevar demais os preços. No caso da Dacia, a resposta passa por aproveitar sua experiência em carros de baixo custo e adaptá-la à eletrificação.
Ainda não está definido qual será a solução técnica usada no novo Sandero elétrico. A Dacia pode recorrer às plataformas AmpR do Grupo Renault, já aplicadas em modelos como Renault 5, Renault 4 e novo Twingo. Outra possibilidade é usar uma evolução da atual CMF-B, adaptada para receber diferentes tipos de motorização.
Essa segunda alternativa permitiria maior flexibilidade. A própria CEO da Dacia, Katrin Adt, confirmou que a marca ainda está em fase de desenvolvimento e estuda uma plataforma capaz de acomodar versões elétricas e também opções com motor a combustão. Isso evitaria depender exclusivamente de uma arquitetura elétrica, reduzindo custos e riscos industriais.
O Sandero elétrico também não deve perseguir números muito altos de potência ou autonomia. A marca quer encontrar um equilíbrio entre desempenho suficiente e preço acessível. Uma possibilidade é usar componentes dos elétricos menores do Grupo Renault, especialmente do novo Twingo E-Tech.
Como referência, o Twingo elétrico usa bateria de 27,5 kWh e promete até 262 km de autonomia pelo ciclo europeu WLTP. Já o Renault 5, de porte mais próximo ao do Sandero, oferece baterias de 40 kWh e 52 kWh, com autonomia de até cerca de 405 km. O futuro Sandero pode ficar entre esses dois caminhos, dependendo do posicionamento final.
Visualmente, a Dacia não pretende criar uma separação muito grande entre o Sandero elétrico e as demais versões. A tendência é que o hatch a bateria receba ajustes discretos, como grade mais fechada e pequenas melhorias aerodinâmicas, mas sem parecer um produto totalmente diferente.
A próxima geração também manterá o Stepway, mas com diferenciação maior em relação ao hatch convencional. A equipe de design da Dacia já indicou que o derivado aventureiro deve se afastar mais do Sandero comum, possivelmente assumindo aparência ainda mais próxima de um SUV de entrada.
Para o Brasil, a situação é mais incerta. A Renault deixou de vender Sandero e Logan por aqui em 2022, substituindo gradualmente a antiga família de compactos por produtos como Kardian, Boreal e modelos eletrificados. Mesmo assim, a evolução do Sandero europeu pode influenciar futuros projetos nacionais, especialmente se a base continuar ligada à arquitetura CMF-B/RGMP.
O novo Sandero elétrico mostra que a eletrificação também chegará aos carros populares, mas sem uma receita única. Em vez de apostar em potência alta, baterias enormes e telas gigantes, a Dacia tentará fazer um elétrico simples, racional e barato. Pode não ser o mais chamativo, mas talvez seja exatamente esse o ponto.