A BYD apresentou na China a terceira geração do Tang, SUV elétrico vendido no Brasil como BYD Tan. O modelo foi revelado durante o Salão de Chengdu e traz uma mudança ampla em relação ao carro atual, com novo desenho, dimensões maiores, arquitetura elétrica mais avançada e autonomia declarada de até 850 km no ciclo chinês CLTC.

A estreia comercial na China está prevista para o quarto trimestre de 2026. Para o Brasil, ainda não há confirmação oficial. Mesmo assim, a novidade interessa ao mercado nacional porque o Tan já faz parte da linha brasileira da BYD e foi um dos primeiros carros de passeio trazidos pela marca ao país.
O novo Tan cresceu. São 5,045 metros de comprimento, 1,980 metro de largura, 1,760 metro de altura e 2,950 metros de entre-eixos. As medidas colocam o SUV em uma faixa de porte elevado, acima da geração vendida atualmente.
A curiosidade é que o aumento de tamanho não veio acompanhado de mais lugares. Pelo contrário: a nova geração foi apresentada com apenas cinco assentos, deixando para trás a configuração de sete lugares que se tornou uma das características do Tan no Brasil.
Essa mudança tem explicação dentro da reorganização da linha chinesa da BYD. A marca passou a oferecer o Tang L, SUV ainda maior, com 5,26 metros de comprimento, 3,13 metros de entre-eixos e sete lugares em configuração 2+2+3. Com isso, o novo Tan passa a ocupar uma posição abaixo dele, embora continue sendo um utilitário de grande porte.
O salto mais importante está na parte elétrica. O novo Tan usa a segunda geração da bateria Blade, tecnologia que começa a aparecer nos lançamentos mais recentes da fabricante. Serão oferecidas baterias de 88,7 kWh e 105,8 kWh, dependendo da versão.
Com essas baterias, a BYD anuncia autonomias de 730 km, 830 km ou 850 km pelo ciclo CLTC. É um número alto, mas precisa ser lido com cautela. O padrão chinês costuma ser mais otimista que o WLTP europeu, o EPA norte-americano e o Inmetro brasileiro, portanto o resultado final em outros mercados tende a ser menor.
Uma das versões já registrada na China utiliza motor elétrico de 300 kW, equivalentes a 408 cv, e pode alcançar velocidade máxima de 250 km/h. A BYD ainda não revelou todos os detalhes da gama, o que deixa em aberto diferenças de potência, tração e equipamentos entre as versões.
Outro ponto forte é a recarga. O novo Tan adota a tecnologia Flash Charging da BYD e, segundo a fabricante, consegue passar de 10% a 70% de bateria em cerca de cinco minutos, desde que temperatura e infraestrutura sejam ideais. Para chegar a 97%, seriam necessários aproximadamente nove minutos.
Na prática, a promessa reduz uma das maiores barreiras dos elétricos: o tempo parado no carregador. Ainda assim, esse tipo de desempenho depende de carregadores de altíssima potência, estrutura que ainda é rara no Brasil.
O pacote tecnológico inclui o sistema de assistência à condução God's Eye B, equipado com LiDAR. A proposta envolve condução assistida em vias urbanas e rodovias, além de estacionamento automatizado. O SUV também terá suspensão pneumática DiSus-A, com câmaras duplas e leitura prévia das condições do piso para ajustar o comportamento da suspensão.
A BYD ainda não divulgou preços do novo Tan na China nem confirmou exportação para o Brasil. Caso venha ao mercado nacional, a marca terá uma decisão importante: manter o Tan como SUV grande de cinco lugares ou trazer uma alternativa maior de sete lugares, como o Tang L.
Por enquanto, o novo Tan mostra a velocidade da evolução tecnológica da BYD. O SUV ficou maior, mais sofisticado, ganhou bateria mais moderna e promete recarga extremamente rápida. A dúvida é quanto dessa nova geração chegará ao Brasil, e em qual formato.