A primeira Ferrari Luce produzida será leiloada antes mesmo de seguir para a garagem de um cliente. A fabricante italiana decidiu colocar à venda o chassi número 0 de seu novo gran turismo elétrico durante a Monterey Car Week, um dos eventos mais importantes do calendário mundial de carros de coleção.

O leilão será realizado pela RM Sotheby’s entre os dias 13 e 15 de agosto. A venda acontecerá sem preço de reserva, o que significa que não haverá valor mínimo obrigatório para a arrematação. Mesmo assim, a expectativa é de que o exemplar ultrapasse US$ 1,1 milhão, equivalente a mais de R$ 6 milhões em conversão aproximada.
Todo o valor arrecadado será destinado à Ferrari Foundation, braço filantrópico da marca italiana. A fundação financia projetos voltados à educação, incluindo o futuro centro M-TECH Alfredo Ferrari, em Maranello, além de iniciativas educacionais nos Estados Unidos.
A unidade que irá a leilão não se destaca apenas por ser a primeira produzida. O carro recebeu uma personalização exclusiva do programa Tailor Made, desenvolvida em colaboração com o Ferrari Design Studio. Na prática, trata-se de uma configuração única, criada especialmente para reforçar o caráter histórico do exemplar.
A carroceria recebeu a pintura Madreperla Semi-Gloss, acabamento exclusivo criado para esta unidade. Segundo a descrição da marca, o pigmento gera reflexos iridescentes que variam entre tons de verde e roxo conforme a incidência da luz, combinando efeito perolizado com acabamento acetinado.
Na cabine, a Ferrari adotou couro metalizado Le Mans Perla. Detalhes que normalmente seriam acabados em preto receberam a tonalidade Grigio Corvara, deixando o interior mais claro e reforçando a proposta de exclusividade.
O pacote também inclui rodas específicas, pinças de freio com acabamento próprio, logotipo da Luce sobre fundo branco e uma plaqueta de identificação com a inscrição “Chassis 0”. Esse detalhe confirma que se trata do primeiro exemplar produzido do novo modelo.
A Ferrari Luce é tratada como um dos lançamentos mais importantes e polêmicos da marca nos últimos anos. O modelo marca a entrada da fabricante em uma nova fase de eletrificação mais profunda, levando a identidade de Maranello para um gran turismo totalmente elétrico.
Como costuma acontecer com mudanças desse porte em marcas tradicionais, a reação inicial foi dividida. Parte dos entusiastas vê a Luce como uma ruptura com a tradição dos motores a combustão da Ferrari. Outra parte enxerga o modelo como uma tentativa de preservar desempenho, exclusividade e valor de coleção em uma era de novas tecnologias.
O fato de a primeira unidade ir a leilão também ajuda a construir narrativa de raridade desde o início. Em vez de entregar o chassi 0 diretamente a um comprador privado, a Ferrari transforma o exemplar em uma peça de colecionador com finalidade beneficente.
Esse tipo de estratégia não é incomum entre marcas de luxo. Unidades iniciais, séries especiais e carros únicos costumam alcançar valores muito superiores ao preço de tabela quando combinam baixa produção, personalização exclusiva e vínculo direto com a história da fabricante.
No caso da Luce, o interesse tende a ser ainda maior por se tratar do primeiro gran turismo elétrico da Ferrari. Mesmo que o modelo ainda divida opiniões, o chassi 0 reúne elementos fortes para colecionadores: produção inaugural, configuração Tailor Made, leilão em Monterey e vínculo com a fundação oficial da marca.
Por enquanto, a estimativa de mais de US$ 1,1 milhão funciona apenas como referência inicial. Como o leilão será sem preço de reserva e envolve um exemplar único, o valor final poderá superar com folga a projeção, especialmente se houver disputa entre colecionadores ligados à história recente da Ferrari.