A McLaren retomou um dos projetos mais simbólicos de sua história. Criado originalmente em 1969 por Bruce McLaren, o M6GT voltou à vida em 2026 pelas mãos da McLaren Special Operations, divisão responsável por projetos especiais, personalização e preservação histórica da marca britânica.

McLaren retoma projeto de superesportivo criado em 1969 / Créditos: Divulgação McLaren
McLaren retoma projeto de superesportivo criado em 1969 / Créditos: Divulgação McLaren

O modelo não é uma releitura moderna, nem uma recriação livre inspirada no passado. De acordo com as informações divulgadas, trata-se de um exemplar construído com base nos planos originais preservados pela McLaren, utilizando como ponto de partida um chassi original do M6A de competição.

A história do M6GT começou no fim dos anos 1960, quando Bruce McLaren imaginou um superesportivo de rua derivado diretamente das pistas. A ideia era transformar a experiência dos protótipos de competição da marca em um GT homologado para uso em vias públicas, mantendo baixo peso, motor central e soluções aerodinâmicas avançadas para a época.

O projeto tinha ligação direta com o M6A, carro com o qual Bruce McLaren e Denny Hulme dominaram a Can-Am Challenge Cup de 1967. A partir dessa base, a marca desenvolveu um cupê extremamente baixo, leve e aerodinâmico, com faróis escamoteáveis, portas do tipo borboleta e motor V8 central.

McLaren retoma projeto de superesportivo criado em 1969 / Créditos: Divulgação McLaren
McLaren retoma projeto de superesportivo criado em 1969 / Créditos: Divulgação McLaren

O plano original também tinha ambição nas pistas. Bruce McLaren pretendia criar uma versão fechada para disputar provas de endurance, incluindo as 24 Horas de Le Mans, em uma época marcada por rivais como Ford GT40, Ferrari 512 e Porsche 917.

A trajetória, porém, foi interrompida por duas razões. Primeiro, a FIA aumentou de 25 para 50 o número de unidades de rua necessárias para homologação. Depois, em 2 de junho de 1970, Bruce McLaren morreu durante testes com o M8D Can-Am em Goodwood, na Inglaterra. Com isso, o M6GT ficou pelo caminho depois de apenas três protótipos construídos.

Mais de cinco décadas depois, a MSO decidiu concluir essa história. O novo exemplar foi feito artesanalmente na sede da divisão em Surrey, no Reino Unido, com cerca de 3 mil horas de trabalho. A descoberta dos moldes originais da carroceria permitiu reproduzir as formas corretas, incluindo pequenas mudanças feitas durante o desenvolvimento nos anos 1960.

McLaren retoma projeto de superesportivo criado em 1969 / Créditos: Divulgação McLaren
McLaren retoma projeto de superesportivo criado em 1969 / Créditos: Divulgação McLaren

O cuidado histórico também aparece em detalhes técnicos. O para-brisa foi recriado a partir do escaneamento de uma peça original, enquanto componentes de suspensão foram restaurados um a um. Até rebites de alumínio com cabeça abaulada seguiram o padrão usado no carro original, com apoio de especialistas da indústria aeronáutica.

Na mecânica, o M6GT preserva a proposta da época. O superesportivo usa motor Chevrolet V8 small-block de 5,7 litros, com 370 cv, associado a câmbio manual de cinco marchas. Segundo os dados históricos, o projeto original era capaz de acelerar de 0 a 160 km/h em 8 segundos e atingir 265 km/h.

O interior também segue a lógica de preservação. Em vez de telas digitais ou elementos modernos, o carro utiliza alavanca de câmbio torneada em nogueira maciça, bancos com vinil feito sob medida e costuras seladas a quente. A pintura Colnbrook, em tom branco cremoso, faz referência a uma das primeiras bases da McLaren, enquanto o interior verde-escuro remete ao M2B, primeiro Fórmula 1 da marca.

Oficialmente, a produção ficará restrita a uma única unidade. O M6GT recriado fará sua estreia pública no Goodwood Festival of Speed, entre 9 e 12 de julho, em uma apresentação que também celebrará a trajetória de Bruce McLaren e a ligação histórica da marca com as pistas.