O mercado brasileiro de caminhões chega à Fenatran com 88.170 emplacamentos entre janeiro e outubro de 2026, resultado 4,49% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. São 4.141 veículos a menos em um segmento que ainda enfrenta obstáculos para retomar o crescimento, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
A feira surge como uma oportunidade para estimular pedidos, mas a avaliação da entidade é que os negócios fechados durante o evento não devem se transformar integralmente em emplacamentos neste ano. Parte relevante das entregas pode ficar para o início de 2027.
Juros dificultam a troca dos veículos
Na avaliação do presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, dois fatores pesam sobre a decisão de renovar as frotas: as taxas de juros elevadas e o encerramento dos recursos do Move Brasil. Esse cenário leva as empresas a analisar com mais cautela a compra de novos caminhões.

O investimento em veículos pesados depende tanto das perspectivas para a atividade econômica quanto da capacidade financeira das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos. Por isso, segundo o executivo, o segmento ainda encontra dificuldades para consolidar uma recuperação em 2026.
Outubro recua nas duas comparações
O balanço mais recente mostra que a retração não está restrita ao acumulado. Em outubro, foram emplacados 9.498 caminhões, contra 10.461 no mesmo mês de 2025. A redução nessa comparação foi de 9,2%.
Também houve perda de ritmo em relação a setembro, que havia registrado 9.851 unidades. Nesse caso, o recuo informado pela Fenabrave foi de 3,58%. Os principais resultados estão reunidos abaixo:
| Período | Emplacamentos | Variação |
|---|---|---|
| Outubro de 2026 | 9.498 | Queda de 9,2% sobre outubro de 2025 |
| Outubro ante setembro de 2026 | 9.498 contra 9.851 | Queda de 3,58% |
| Janeiro a outubro de 2026 | 88.170 | Queda de 4,49% sobre igual período de 2025 |
Fenatran concentra expectativa por novos pedidos
Marcada para os dias 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, na capital paulista, a Fenatran reúne fabricantes de caminhões, implementos rodoviários, fornecedores de componentes e empresas de tecnologia e serviços para o transporte. A organização estima movimentar R$ 15 bilhões em negócios.
Para acompanhar outros assuntos ligados ao evento, veja também a cobertura da Fenatran no Carzin.
A expectativa de Arcelio Junior é que a feira ajude a formalizar encomendas de caminhões novos. O efeito sobre os resultados mensais, porém, dependerá do calendário de entregas e registros. Assim, parte relevante dos pedidos poderá aparecer nas estatísticas apenas no começo de 2027, enquanto o setor busca recuperar o ritmo de renovação das frotas.
Fonte: Transporte Moderno