A BYD pode ampliar sua presença no Brasil para além de carros de passeio, SUVs, ônibus e chassis elétricos. A marca chinesa registrou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial um caminhão leve chamado T35, movimento que indica estudo para uma possível entrada no segmento de utilitários comerciais.

O modelo ainda não tem lançamento confirmado. Segundo a apuração publicada, a BYD avalia a inserção de veículos utilitários no mercado brasileiro, mas não há previsão oficial de produção, importação ou início de vendas do T35 por aqui. Por isso, o registro deve ser tratado como sinal de estudo e preparação, não como confirmação de chegada imediata.
Mesmo assim, o caminhão chama atenção porque poderia abrir uma nova frente para a empresa. A BYD já atua no Brasil com ônibus elétricos, chassis para transporte urbano, empilhadeiras e automóveis eletrificados. Um caminhão leve ampliaria essa estratégia para logística urbana, entregas de última milha e operações comerciais de curta distância.
O T35 é um caminhão elétrico leve de configuração urbana. A proposta parece mirar veículos como o Kia Bongo, tradicional no transporte de pequenas cargas. A diferença central está no conjunto de propulsão: no lugar de motor diesel, o BYD usa motor elétrico e bateria de fosfato de ferro-lítio.
A ficha divulgada aponta bateria Blade de 62,36 kWh. O motor elétrico entrega 201 cv de potência e 34,7 kgfm de torque. A autonomia estimada chega a 367 km, número relevante para operações urbanas, nas quais o veículo costuma rodar rotas previsíveis e retornar à base no fim do dia.
A velocidade máxima informada é de 60 km/h. Esse dado mostra que o foco do T35 não estaria em uso rodoviário, mas em trajetos urbanos, entregas programadas e deslocamentos de baixa ou média velocidade. Para empresas de logística, supermercados, centros de distribuição e frotas municipais, esse perfil pode fazer sentido quando há estrutura de recarga própria.
O carregamento pode ser feito em corrente contínua ou alternada. Em DC, com potência de 71 kW, a recarga de 20% a 80% levaria aproximadamente 36 minutos. Em AC, o mesmo intervalo poderia chegar a cerca de seis horas e meia. Na prática, isso permitiria recarga rápida em operação intensiva ou carregamento lento durante a noite em garagem de frota.
Nas dimensões, o T35 mede 5 metros de comprimento, 1,78 metro de largura, 2 metros de altura e 2,52 metros de entre-eixos. A plataforma traseira tem 3,12 metros de comprimento, 1,78 metro de largura e 40 cm de altura. A capacidade de carga é de 1.900 kg, acima dos 1.800 kg citados para o Kia Bongo como referência comparativa.
O ponto sensível está no Peso Bruto Total. O T35 tem PBT de 3,7 toneladas, acima do limite de 3.500 kg que permite condução com CNH categoria B. Isso significa que, se for vendido no Brasil com essa especificação, o caminhão exigirá habilitação adequada para veículos comerciais mais pesados. Para pequenos empreendedores, esse detalhe pode reduzir a atratividade frente a utilitários que podem ser conduzidos com carteira B.
O registro no INPI indica três variações de carroceria: cabine simples, cabine estendida e cabine dupla, todas com configuração de plataforma. Essa variedade permitiria atender diferentes tipos de operação, desde entregas convencionais até uso por equipes que precisam transportar mais ocupantes junto com carga.
A eventual chegada do T35 também teria peso estratégico. A BYD vem ganhando espaço rapidamente entre automóveis eletrificados, mas o transporte de carga ainda é um território diferente. Nesse mercado, preço de aquisição, custo por quilômetro, tempo parado para recarga, rede de manutenção e durabilidade em uso severo pesam tanto quanto a tecnologia embarcada.
Por enquanto, a melhor leitura é de cautela. O T35 mostra que a BYD olha para o segmento de caminhões leves, mas ainda precisa transformar estudo em produto comercial. Caso avance, o modelo poderá ser uma das primeiras tentativas mais visíveis da marca de levar a eletrificação para a logística urbana brasileira em escala maior.