Por Rodrigo Duarte

Categoria: Caminhões
Tempo de leitura: 4 minutos

A BYD pode ampliar sua presença no Brasil para além de carros de passeio, SUVs, ônibus e chassis elétricos. A marca chinesa registrou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial um caminhão leve chamado T35, movimento que indica estudo para uma possível entrada no segmento de utilitários comerciais.

BYD estaria próxima de lançar seu primeiro caminhão / Créditos: Divulgação BYD

O modelo ainda não tem lançamento confirmado. Segundo a apuração publicada, a BYD avalia a inserção de veículos utilitários no mercado brasileiro, mas não há previsão oficial de produção, importação ou início de vendas do T35 por aqui. Por isso, o registro deve ser tratado como sinal de estudo e preparação, não como confirmação de chegada imediata.

Mesmo assim, o caminhão chama atenção porque poderia abrir uma nova frente para a empresa. A BYD já atua no Brasil com ônibus elétricos, chassis para transporte urbano, empilhadeiras e automóveis eletrificados. Um caminhão leve ampliaria essa estratégia para logística urbana, entregas de última milha e operações comerciais de curta distância.

O T35 é um caminhão elétrico leve de configuração urbana. A proposta parece mirar veículos como o Kia Bongo, tradicional no transporte de pequenas cargas. A diferença central está no conjunto de propulsão: no lugar de motor diesel, o BYD usa motor elétrico e bateria de fosfato de ferro-lítio.

A ficha divulgada aponta bateria Blade de 62,36 kWh. O motor elétrico entrega 201 cv de potência e 34,7 kgfm de torque. A autonomia estimada chega a 367 km, número relevante para operações urbanas, nas quais o veículo costuma rodar rotas previsíveis e retornar à base no fim do dia.

BYD estaria próxima de lançar seu primeiro caminhão / Créditos: Divulgação BYD

A velocidade máxima informada é de 60 km/h. Esse dado mostra que o foco do T35 não estaria em uso rodoviário, mas em trajetos urbanos, entregas programadas e deslocamentos de baixa ou média velocidade. Para empresas de logística, supermercados, centros de distribuição e frotas municipais, esse perfil pode fazer sentido quando há estrutura de recarga própria.

O carregamento pode ser feito em corrente contínua ou alternada. Em DC, com potência de 71 kW, a recarga de 20% a 80% levaria aproximadamente 36 minutos. Em AC, o mesmo intervalo poderia chegar a cerca de seis horas e meia. Na prática, isso permitiria recarga rápida em operação intensiva ou carregamento lento durante a noite em garagem de frota.

Nas dimensões, o T35 mede 5 metros de comprimento, 1,78 metro de largura, 2 metros de altura e 2,52 metros de entre-eixos. A plataforma traseira tem 3,12 metros de comprimento, 1,78 metro de largura e 40 cm de altura. A capacidade de carga é de 1.900 kg, acima dos 1.800 kg citados para o Kia Bongo como referência comparativa.

BYD estaria próxima de lançar seu primeiro caminhão / Créditos: Divulgação BYD

O ponto sensível está no Peso Bruto Total. O T35 tem PBT de 3,7 toneladas, acima do limite de 3.500 kg que permite condução com CNH categoria B. Isso significa que, se for vendido no Brasil com essa especificação, o caminhão exigirá habilitação adequada para veículos comerciais mais pesados. Para pequenos empreendedores, esse detalhe pode reduzir a atratividade frente a utilitários que podem ser conduzidos com carteira B.

O registro no INPI indica três variações de carroceria: cabine simples, cabine estendida e cabine dupla, todas com configuração de plataforma. Essa variedade permitiria atender diferentes tipos de operação, desde entregas convencionais até uso por equipes que precisam transportar mais ocupantes junto com carga.

A eventual chegada do T35 também teria peso estratégico. A BYD vem ganhando espaço rapidamente entre automóveis eletrificados, mas o transporte de carga ainda é um território diferente. Nesse mercado, preço de aquisição, custo por quilômetro, tempo parado para recarga, rede de manutenção e durabilidade em uso severo pesam tanto quanto a tecnologia embarcada.

Por enquanto, a melhor leitura é de cautela. O T35 mostra que a BYD olha para o segmento de caminhões leves, mas ainda precisa transformar estudo em produto comercial. Caso avance, o modelo poderá ser uma das primeiras tentativas mais visíveis da marca de levar a eletrificação para a logística urbana brasileira em escala maior.

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