Os ocidentais costumam achar que os chineses são muito parecidos entre si. Tanto os carros quanto as pessoas. Mas com os modelos da Lifan ocorre justamente o contrário. Normalmente, um carro da marca não se parecem em nada com outro. A montadora, que atua no ramo de automóveis há apenas oito anos, ainda busca uma identidade estética. Essa personalidade visual vai começar a ser desenhada de foma mais concreta no Brasil a partir do primeiro trimestre de 2014, que é quando será lançado o sedã compacto 530. O modelo tem o mesmo estilo do jipinho X60, com a grande grade de linhas horizontais e faróis que avançam sobre o para-lamas rechonchudos. Mas o fundamental no caso do 530 é a possibilidadde de a Lifan passar a atuar em um segmento de volumes bem mais expressivos.
A ideia da marca chinesa é manter a mesma política que adota em relação ao X60 e oferecer o sedãzinho a um preço atraente e bem equipado – ar-condicionado, trio elétrico, direção eletro-hidráulica, sistema de som, rodas de liga leve, faróis de neblina, airbags frontais, freios a disco e ABS. Para conjugar preço e equipamento não será necessária uma ginástica das mais tortuosas, já que o modelo será montado em CKD na unidade de San Jose de Mayo, no Uruguai, e poderá contar com os privilégios fiscais dos produtos feitos no Mercosul. A fábrica pertencia à Effa, de quem a Lifan adquiriu toda a operação para “primeirizar” as atividades, por achar que o antigo representante local não estava dando a devida atenção ao seus produtos.
O objetivo é atacar o subsegmento de sedãs compactos com espaço generoso mas acabamento simples. Nesse caso estão o JAC J3 Turin, o Renault Logan, Toyota Etios e até Chevrolet Cobalt – todos na faixa dos R$ 40 mil. De perfil, inclusive, o desenho do 530 lembra bastante o do modelo da também chinesa JAC. A linha de cintura é ascendente e tanto o volume frontal quanto traseiro são curtos. Todo o aspecto do carro remete à ideia de robustez. A frente alta tem para-choques bem protuberantes. As lanternas estreitas, nas laterais da tampa do porta-malas, criam uma grande área de lataria. A marca oval da Lifan, que traz três veleiros estilizados, aparece bem no meio da grade e no centro da tampa do traseira.
Assim como o desenho, o estilo de motorização também não foge muito ao que é oferecido hoje no mercado brasileiro. Trata-se de uma família moderna, com comando de válvula variável na admissão e bobinas individuais para os cilindros. Na China, o 530 é oferecido tanto com um motor 1.3 de 94 cv quanto com um 1.5 de 103 cv, sempre a 6 mil giros. O propulsor mais potente deve ser o escolhido para equipar o modelo no Brasil. Inclusive porque ele tanto pode trabalhar em conjunto com um câmbio manual de cinco marchas ou com uma transmissão continuamente variável – o que ampliaria a poder de atração do pequeno três-volumes. Ainda na parte mecância, a suspensão dianteira é bem tradicional, do tipo McPherson. Enquanto na traseira a opção é mais original: independente com braços semi-arrastados.
No interior, porém, o 530 cai no lugar-comum dos compactos de entrada, que costumam economizar bastante no acabamento. O revestimento sofre do mesmo excesso de plásticos que acomete os rivais no segmento. A agravante, no caso do modelo da Lifan, é que o encaixes das peças não é preciso. Há muitas rebarbas e os materias não inspiram muita confiança. O design interior também não é dos mais originais. Os revestimentos plásticos são em dois tons de cinza e há uns poucos detalhes cromados, como nos botões do rádio – insuficientes para emprestar qualquer requinte ao modelo. Seja como for, as soluções e os resultados são bastante próximos dos obtidos pelos competidores diretos no Brasil. O que pode dificultar a vida do sedãzinho é a natural desconfiança que qualquer marca nova inspira nos consumidores.
Primeiras impressões
Chongqing/China – Estranhamento entre os hábitos do Oriente e do Ocidente não chega a ser surpresa. Só que numa situação tão íntima quanto o convívio com um veículo, mesmo as pequenas diferenças as ganham grandes proporções. As marcas japonesas, por exemplo, levaram quase duas décadas para compreender as particularidades dos consumidores norte-americanos – as idiossincrasias dos europeus até hoje não conseguiram entender. Nessa busca pela adequação, as marcas chinesas ainda são calouras. A expectativa de um consumidor em relação a isolamento acústico, suavidade de rodagem, acabamento e até mesmo o cheiro do carro são bem diferentes aqui e lá.
A começar pelo bom espaço interno e o generoso porta-malas, de 475 litros. Depois, pelo comportamento dinâmico, que é bastante convincente. Os 103 cv do motorzinho 1.5 têm bastante disposição para empurrar os pouco mais de 1.100 kg do 530. As acelerações são feitas com razoável vigor. O sistema suspensivo não cumpre bem a função de isolar os ocupantes das irregularidades do piso, mas fornece bastante equilíbrio ao carro. A direção também filtra pouco os trancos nas rodas. Sempre atendendo à lógica mais pragmática e despreendida, de buscar eficiência e dar pouca importância ao conforto.
Ficha técnica - Lifan 530
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.498 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 103 cv a 6 mil rpm.
Velocidade máxima: 175 km/h.
Torque máximo: 13,6 kgfm a 4 mil rpm.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira independente com braços semi-arrastados.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos na frente e atrás com ABS e EBD.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,30 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,49 m de altura e 2,55 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.140 kg.
Capacidade do porta-malas: 475 litros.
Tanque de combustível: 42 litros.
Produção: San José de Maya, Uruguai.
Itens de série: Ar-condicionado, direção eletro-hidráulica, trio elétrico, airbag duplo, ABS, rádio/CD/Aux/USB, rodas de liga leve de 15 polegadas, faróis de neblina e repetidores de seta nos retrovisores.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias
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