Por Rodrigo Duarte

Categoria: Mercado
Tempo de leitura: 5 minutos

A Volkswagen prepara um novo SUV grande derivado da próxima geração da Amarok para a América do Sul. O projeto, conhecido internamente como Atacama, já teria sido mostrado a concessionários e deve chegar com três fileiras de bancos, sete lugares e porte superior ao de rivais como Toyota SW4 e GWM Haval H9.

Volkswagen prepara novo SUV de três fileiras e derivado da Amarok / Créditos: Divulgação VW

A ideia não é totalmente inédita dentro da Volkswagen. Na geração anterior da Amarok, a marca chegou a desenvolver um protótipo de SUV baseado na picape, mas o projeto não avançou. Agora, o cenário é diferente porque a nova arquitetura compartilhada com a chinesa SAIC permite mais flexibilidade de carroceria, eletrificação e aplicação em veículos maiores.

O futuro SUV deverá usar como base a próxima Amarok, desenvolvida a partir de uma plataforma ligada à Maxus Interstellar X, picape chinesa com cerca de 5,50 metros de comprimento e 3,30 metros de entre-eixos. Esse entre-eixos é um dos pontos mais importantes do projeto, porque supera com folga os 2,79 metros da Toyota SW4 e os 2,85 metros do Haval H9.

Em um SUV de sete lugares, essa diferença pode ser decisiva. Modelos derivados de picapes costumam ter terceira fileira apertada e porta-malas limitado quando todos os bancos estão em uso. Com aproximadamente 3,30 metros entre os eixos, a Volkswagen terá mais margem para trabalhar espaço interno, acesso aos últimos assentos e acomodação de bagagem.

Apesar da origem comum com a plataforma chinesa, o modelo não deverá ser apenas uma Interstellar X fechada com logotipo Volkswagen. A nova Amarok já passa por desenvolvimento específico na América do Sul, com design próprio e calibração voltada à região. O SUV seguirá lógica semelhante, aproveitando componentes e arquitetura, mas com identidade própria.

O desenvolvimento regional é importante porque a Volkswagen precisa criar um produto adequado ao mercado local. SUVs grandes derivados de picapes têm uso muito específico no Brasil: precisam transmitir robustez, oferecer tração 4x4, levar família com conforto e, ao mesmo tempo, manter imagem de veículo resistente para estradas ruins, viagens longas e uso fora do asfalto.

A principal novidade pode estar no conjunto mecânico. A próxima Amarok deverá ter uma versão chamada 800 TSI, em referência aos 800 Nm de torque, equivalentes a 81,6 kgfm. A apuração indica potência superior a 470 cv, tração nas quatro rodas e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 5 segundos, o que aponta para um sistema híbrido plug-in.

Esse mesmo conjunto eletrificado é esperado para o SUV Atacama, ainda que a Volkswagen possa alterar calibração, potência ou respostas conforme peso e proposta do modelo. Caso mantenha números próximos aos da Amarok 800 TSI, o utilitário chegará muito acima dos rivais diretos em desempenho.

A diferença aparece na comparação. A Toyota SW4 usa motor 2.8 turbodiesel de 204 cv e 51 kgfm, enquanto o Haval H9 combina motor 2.4 turbodiesel de 184 cv e 48,9 kgfm. Um Volkswagen de mais de 470 cv e 81,6 kgfm entraria em outra faixa de potência, algo raro entre SUVs grandes de sete lugares com vocação off-road vendidos no Brasil.

Volkswagen prepara novo SUV de três fileiras e derivado da Amarok / Créditos: Divulgação VW

A estratégia também ajuda a Volkswagen a preencher uma lacuna antiga. A marca tem forte presença entre SUVs compactos e médios, com modelos como Tera, T-Cross, Taos e Tiguan, mas não oferece um utilitário grande de sete lugares derivado de picape. Enquanto isso, a Toyota usa há anos a imagem da Hilux para sustentar a SW4.

Com o Atacama, a Volkswagen pode tentar repetir essa lógica. A nova Amarok serviria como base de reputação, enquanto o SUV ampliaria o alcance da plataforma para famílias, clientes de maior poder aquisitivo e consumidores que querem robustez sem abrir mão de conforto e tecnologia.

Ainda faltam informações importantes. A marca não confirmou nome comercial, data de lançamento, ficha técnica final, versões, preços ou dimensões definitivas da carroceria. Por enquanto, o que existe é a apuração de que o projeto seguirá adiante e terá sete lugares, base da nova Amarok e possibilidade de motorização híbrida de alto desempenho.

Se avançar como esperado, o SUV derivado da Amarok pode se tornar um dos lançamentos mais importantes da Volkswagen na região. Ele levaria a marca para um segmento em que nunca teve presença forte no Brasil e poderia criar um rival direto para SW4 e Haval H9, mas com o diferencial de eletrificação e desempenho muito acima do padrão atual.

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