Desde já há muitos anos os brasileiros já demonstravam sua paixão pelos automóveis. A Ford, primeira fabricante de veículos no Brasil, instalada em 1919, logo no primeiro ano de vida em nosso solo vendeu 2447 unidades do famoso e memorável modelo T. No seguinte ano esse número praticamente dobrou para mais de 4000 unidades. Apenas quatro anos depois esse número de vendas pulou para 24250 unidades, e por aí ano após ano a fabricante quebrava seus recordes de vendas no Brasil.
A ideia da Ford ao desenvolver e lançar o Pampa era justamente criar um veículo que fosse ao mesmo tempo de passeio, mas que fosse versátil ao ponto de auxiliar nas atividades laborais que envolviam carga de pequeno peso. Na verdade o Ford Pampa já existia, porém era demasiado grande para o novo objetivo, que era ter uma picape viável para o trânsito urbano e seus pequenos espaços para estacionar. Mesmo existindo já veículos com motor de quatro cilindros, como era o caso das F-1000, eles ainda não eram o tipo de automóvel que se adaptaria à movimentação nas capitais.
A picape Pampa, cujo significado do nome remete a um cavalo de corpo no todo malhado, contou com várias versões seja com cabine dupla, Ghia, S, GL e L e foi fabricada até 1997, registrando até então o incrível número de 380 mil unidades produzidas. Entre os diferenciais do Ford Pampa estão os freios, o painel completo já familiar, e o bagageiro e todo seu acabamento impecável, se considerado se tratar de um veículo de carga. Sua sucessora, Courier, nunca alcançou tal desempenho em vendas.
É inquestionável a contribuição do “pai” do Ford Pampa ao mercado automobilístico brasileiro. O advento do Corcel, lançado em 1977, foi uma das mais produtivas invenções de seu fabricante, uma vez que se desmembrou em várias versões para responder a distintas demandas e públicos da década de 80. Desse patriarca vieram o sedã de médio porte com duas portas e a perua Belina, sem comentar no notável e luxuoso Del Rey e, claro, sem esquecer a perua Scala, que seria uma Belina mais estilizada, e por fim seu último “filho” a picape Pampa.
Todas essas melhorias no antecessor da picape Pampa, contribuiram para que especialistas reconhecessem que ela tinha desenvolvimento semelhante ao Corcel, com velocidade máxima de 148 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 17,5, sendo estas as máximas alcançadas. Todos os detalhes da nova picape foram pensados e por isso a válvula equalizadora do modelo evitava que as rodas traseiras fossem travadas pelos freios, quando estavam com caçamba vazia.
Já na versão 4x2 a picape Pampa foi considerada com menor aceleração, pior estabilidade e direção mais dura e com menor capacidade de carga para os 67 cv com que contava. Essa foi a comparação feita em 1984, considerando entre esse modelo Ford e outros da mesma categoria de fabricantes como Chevrolet, VW, Fiat, quais respectivamente sejam, Chevy, Saveiro e 147 City. Nova versão é lançada em 1986, mais moderna e com melhorias, saía ao mercado a versão GL, que dava ao consumidor a opção de direção hidráulica e contava com redução nos ruídos, não obstante a dificuldade de utilização do veículo por quem tinha mais de 1,80 metro devido a escassez de espaço, apresentando também maior consumo de combustível em relação às suas concorrentes.
Mas a versão mais luxuosa do modelo ocorreu em 1987, trazendo consigo um pouco da classe e conforto do Del Rey, que teve sua produção finalizada em 1991, foi deste que a picape Pampa recebeu a grade frontal e o sofisticado painel, além dos faróis trapezoidais que já eram utilizados no Del Rey e Corcel desde 1985. Mesmo com tanto design e classe, a Pampa não registrava modernidade na direção, qual não oferecia opção fora da manual. Mais adiante, a união da Ford com a VW, que vigorou de 1986 a 1994, possibilitou o compartilhamento de tecnologia, propiciando em 1990 que o motor AP=1800 do Saveiro fosse o mesmo da Pampa, rendendo 92 cv. Mesmo passando por tantas evoluções, a Pampa só apresentou versão com injeção eletrônica em 1997, mesmo tendo encerrado sua produção em 1994. A primeira picape derivada de um carro de passeio e com opção 4x4 estava finalizando sua carreira, para dar lugar a sua sucessora, a Courier, qual nunca conseguiu até o momento superar a preferência e popularidade do Ford Pampa, seu conforto, versatilidade e capacidade.
Características técnicas do Ford Pampa 4x4 de 1984
Esse modelo contava com motor de 4 cilindros e motor de 1.6 litro, além de carburador de corpo duplo a gasolina, alcançando a potência de 62,7 cv a 5200 rpm. Seu torque era de 10,4 kgfm a 2800 rpm. Sua carroceria tinha dimensão de 4.420 mm de comprimento, 1.670 mm de largura e 1.410 mm de altura com peso de 1.104 kg. Contando também com tração integral e freios a disco sólido na dianteira e de tambores na traseira. Direção com 4 velocidades em cambio manual.
Origens
Em 1950 acontece o primeiro processo de estampagem das carrocerias da linha Ford, e logo em seguida o país começa engatinhar no processo de nacionalização, ao serem fabricadas as primeiras cabines Pick-ups de aço em Volta Redonda.
Por influência do governo Juscelino Kubitschek, que pregava a nacionalização da produção, foi inaugurada em 1957 a manufatura da Ford no país, com 40% de peças nacionais. O primeiro veículo produzido no país foi Ford F-600. Logo em seguida, em 1958 iniciou-se a fabricação de motores da marca no Brasil, sendo o primeiro o tipo V8 Y-block de 272 polegadas cúbicas de deslocamento, 4,5 litros e 161 HP.
E se você pensa que recall é invenção do século XXI, saiba que o primeiro desses procedimentos feitos no Brasil foi justamente pela primeira montadora que aqui aportou e produziu o primeiro carro em nosso solo. Sim, em 1969 a Ford chamou seus clientes para corrigir um problema de fábrica no Corcel, que envolvia o sistema de direção. A fabricante realmente foi aqui uma pioneira em vários aspectos.
Expectativas
Sobre o futuro da sucessora do Pampa, o Ford Courier, segundo o site da própria montadora este modelo continua até 2015, ao contrário do que ocorrerá com modelos como Ford Ka, Fiesta Rocam e provavelmente Fusion já não mais estarão em nosso meio. Refletindo essa decisão da fábrica em manter comercialmente ativo somente modelos que atendam as exigências de segurança e construção mundialmente exigidas, como airbags e freio ABS. No Brasil todos os carros deverão contar com esses itens de segurança como de série a partir de 2014, como determinação legal. Como a Ford Courier já não passa por nenhuma restilização ou modernização há muito tempo, quem sabe não vemos também em 2015 uma recauchutada no modelo para finalmente ter o prazer de nos sentirmos em uma nova versão da picape que nos remete aos bons tempos de seu saudoso ancestral Corcel. Porém para nossa aflição a Ford ainda não adiantou nada, teremos que esperar para ver. Quem viver até lá, verá!
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